Os meus netos resolveram aprontar neste final de ano, ou melhor, aprontaram com os meus pequenos.
O Lucca apareceu com Pediculus Capitis e o Arthur pegou um belo Tunga Penetrans.
Para a maioria das pessoas isso não quer dizer muita coisa pois ninguém se liga muito no nome científico, mas se usarmos a linguagem popular a coisa muda de figura.
Querem ver?
O Lucca apareceu com piolhos e o Arthur pegou bicho de pé.
Agora tenho certeza que tem muita gente coçando a cabeça - isso é automático, não tem jeito.
E quem já pegou e sentiu aquela coceirinha de um bicho de pé deve estar sentindo tudo outra vez..
Quanto ao pé do Arthur, precisou de muito cuidado ao tirar o morador intruso pois dói um bocado e não pode ficar nenhuma perninha senão inflama.
Sinceramente, não sei como o garoto pegou esse bichinho. Os pais são muito cuidadosos. Possivelmente no parque de exposição de Montes Claros ou no meu sítio.
Quanto ao Lucca, foi preciso cortar o cabelo do garoto, usar loção e shampoo apropriados e ter muita paciência para limpar a área infestada de parasitas.
Como o garoto é ruivo, os invasores eram todos vermelhinhos e foi uma dificuldade a mais para serem exterminados.
Por não conseguirmos descobrir de onde eles vieram e para onde eles foram, tivemos que avisar a todos que passaram pela nossa casa neste final de ano para conferirem as cabeças no menor inicio de coceira.
Junto com o kit de extermínio veio um apetrecho que eu não via há muito tempo: um pente fino.
Aquilo me levou a recordar minha infância no Brejo (norte de Minas), na época do grupo escolar, quando tinha epidemia de piolho. Era um Deus nos acuda! Todo mundo com as cabeças cheias de piolhos e lêndeas e os adultos tratavam os parasitas com um veneno chamado Neocid. Sinceramente, não sei como sobrevivemos sem sequelas depois daqueles tratamentos agressivos;
Além encherem nossos cabelos daquele pó branco, ainda amarravam um pano nas nossas cabeças para abafarem os bichinhos e depois o pente fino entrava em ação para terminar o serviço.
Acho que todos que cresceram nos anos 60/70 passaram por isso.
Mas o importante é que sobrevivemos apesar daquele veneno todo e o que é melhor, em perfeito estado de saúde física e mental , pelo menos eu acho, rsrsrsrsrsr.
E eu que pensei que hoje em dia esses parasitas invasores não faziam mais parte do universo infantil.
Eles continuam por aí, mas agora são combatidos de uma maneira mais segura e saudável.
Deus nos livre dos piolhos, mas quem já pegou um bicho de pé sabe como é gostosa aquela coceirinha.

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