Sábado passado, o Lucca me acordou cedo e estava muito aflito.
Ele queria que eu o ajudasse a escrever uma cartinha para o Papai Noel.
Eu estranhei aquela pressa toda, mas ele disse que tinha que ser rápido mesmo.
Que o presente que ele queria era muito bom e todos os meninos iriam pedir.
Se ele demorasse para mandar a carta, o brinquedo ia acabar e ele não iria ganhar.
Sem argumentos, tive que levantar.
Lá fomos nós escrever a cartinha.
Ele ditava e eu escrevia.
O pedido dele foi uma tal de pista das piranhas.
A bendita pista tinha várias cores...um arco íris completo.
Eu não acreditei naquele nome, pedi que ele repetisse, mas era aquilo mesmo.
Como eu estava ali só para escrever e não para questionar, coloquei no papel.
Depois de pedir o dele, é claro, lembrou dos primos e pediu um presente para cada um.
Alguns presentes estranhos como o cachorro do Pateta
(eu nem me lembrava mais do Pluto) e um Cascão.
Eu passei o dia encucada com aquela pressa repentina, tinha que ter um motivo.
Quando a mãe chegou da faculdade eu contei o acontecido.
Aí sim, tudo se esclareceu.
Na sexta feira ele ouviu uma história lida pela mãe, onde a Mônica pedia um presente
de aniversário ao seu pai .
O pai demorou para comprar e quando decidiu, o brinquedo tinha acabado.
Ele rodou a cidade inteira, mas voltou para casa sem o presente.
A Mônica é lógico fez um escândalo.
Foi o suficiente para acender a luzinha de alerta nele.
Dá até para imaginar a noite de cão do garoto,
pensando na pista de nome estranho e
na possibilidade de Papai Noel não encontrá-la mais.
Algumas pessoas não gostam de perpetuar a ilusão do Papai Noel e eu respeito.
Mas acho um barato a carinha de felicidade de uma criança ao ganhar um presente.
Faz parte da mística infantil e sempre lembramos com saudades dessa época das nossas vidas.
Olhem a cartinha na íntegra.
Ele mesmo fez questão de assinar.
A letra da vovó é uma tragédia, desculpem.
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