quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

ALMAS PERFUMADAS

                                                                                    
                                                                                                        Carlos Drummond de Andrade
                                                                           



Tem gente que tem cheiro de passarinho quando canta.
De sol quando acorda.
De flor quando ri.
Ao lado delas, a gente se sente no balanço de uma rede que dança gostoso numa tarde grande,
sem relógio e sem agenda.
Ao lado delas, a gente se sente comendo pipoca na praça.
Lambuzando o queixo de sorvete.
Melando os dedos com algodão doce da cor mais doce que tem pra escolher.
O tempo é outro.
E a vida fica com a cara que ela tem de verdade, mas que a gente desaprende de ver.


Tem gente que tem cheiro de colo de Deus.
De banho de mar quando a água é quente e o céu é azul.
Ao lado delas, a gente sabe que os anjos existem e que alguns são invisíveis.
Ao lado delas, a gente se sente chegando em casa e trocando o salto pelo chinelo.
Sonhando a maior tolice do mundo com o gozo de quem não liga pra isso
Ao lado delas, pode ser abril, mas parece manhã de Natal do tempo em que
a gente acordava e encontrava o presente do Papai Noel.
Tem gente que tem cheiro das estrelas que Deus acendeu no céu e daquelas
que conseguimos acender na Terra.
Ao lado delas, a gente não acha que o amor é possível, a gente tem certeza.
Ao lado delas, a gente se sente visitando um lugar feito de alegria.
Recebendo um buquê de carinhos.
Abraçando um filhote de urso panda.
Tocando com os olhos os olhos da paz.
Ao lado delas, saboreamos a delícia do toque suave que sua presença sopra
no nosso coração.
 














Tem gente que tem cheiro de cafuné sem pressa. 
Do brinquedo que a gente não largava.
Do acalanto que o silêncio canta.
De passeio no jardim.
Ao lado delas, a gente percebe que a sensualidade é um perfume que vem de dentro
e que a atração que realmente nos move não passa só pelo corpo.
Corre em outras veias.
Pulsa em outro lugar.
Ao lado delas, a gente lembra que no instante em que rimos Deus está conosco,
juntinho ao nosso lado.
 E a gente ri grande que nem menino arteiro
Tem gente como você que nem percebe como tem a alma Perfumada!
 E que esse perfume é dom de Deus.



Desejamos que todos vocês tenham essa presença especial neste final de ano.
Boas festas a todos!!!
Vovó Lide, Lucca, Pedro e Arthur


segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

O BATISMO


Domingo, 11 de dezembro, reunimos a família e amigos para batizarmos o Pedro.
Os padrinhos foram Tio Guilherme e Tia Maria.
Foi o primeiro batizado presenciado pelo Lucca que ficou muito impressionado.
Queria saber o significado de cada ação do padre.
Achou muito estranho abrir a roupa e untar de óleo o peito do garoto.


Quando chegou a hora da água, o Pedro não gostou e o Lucca ficou indignado.
Afinal de contas, o garoto tomou um longo banho, lavou a cabeça e não precisava lavar de novo e ainda por cima bagunçou  todo o penteado feito pela tia Liu com tanto capricho.
A vela acesa pelo padrinho ele achou legal.
Mas o padre veio de novo com aquele óleo e sujou  agora
foi a cabeça, para que?














Fez uma melequeira molhada no cabelo do Pedrinho que não gostou nem um pouquinho.
Depois do batizado teve a Consagração a Nossa Senhora. Tia Liu foi a madrinha.
Expliquei para ele que Tia Liu era também sua madrinha de consagração.
Como o  padrinho de batismo do Lucca e do Pedro é o mesmo, tio Gui, ele quis saber se ele iria batizar o Arthur também.
Eu disse que não, pois ele era o pai do Arthur, não poderia ser o  padrinho.
Que o Juliano, seu pai, seria a padrinho do Arthur.
Nossa, acho que minha explicação ficou confusa.
Com certeza  baguncei a cabeça do garoto.
Vou voltar a esse assunto depois, no próximo batizado.
Que será o do Arthur, é claro.